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O fogo queimou 88 milhões de hectares do cerrado nas últimas quatro décadas, área maior que todo o território do Chile. Isso significa que no período entre 1985 e 2023, o bioma teve 43% do seu território queimado, sendo a média anual de 9,5 milhões de hectares. Portanto, mais do que a média da Amazônia, que perde 7,1 milhões de hectares por ano.

 

Uso do solo no bioma

 

O Cerrado perdeu 27% de sua vegetação nativa para o desmatamento, ou seja, 38 milhões de hectares. Mas o solo no bioma é muito usado para a agropecuária, com quase metade da área já modificada para atividade de cultivo humano.

 

Então, são pelo menos 26 milhões de hectares de cerrado para a agricultura, com 75% só para a soja. O MapBiomas afirma que metade da área total de cultivo do grão no país, 19 milhões de hectares, está no bioma.

 

Pessoas e instituições que pesquisam sobre o bioma buscam constantemente aumentar a proteção do Cerrado, numa tentativa de assemelhar as leis entre o bioma e a Amazônia. Ainda há cerca de 101 milhões de hectares de vegetação nativa no Cerrado e 55% desta vegetação nativa encontra-se em áreas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) autodeclarado.

 

Focos de incêndio

 

O bioma também está sofrendo com os atuais focos de incêndio que tiveram início em agosto de 2024, com cerca de 2,4 milhões de hectares afetados. 

 

De janeiro a agosto deste ano o bioma teve 4 milhões de hectares queimados, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Porém, a maior preocupação é que 3,2 milhões de hectares do total (79%) de focos de incêndio aconteceu em áreas de vegetação nativa.

 

Com CicloVivo

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 Mais da metade de toda a área desmatada no Brasil em 2023 está no Cerrado. É o que aponta o Relatório Anual do Desmatamento (RAD) no Brasil, divulgado nesta terça-feira (28/5) pelo MapBiomas. Ainda segundo o estudo, é a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o bioma goiano ultrapassou a Amazônia em termos de área desmatada. Quase todo o desmatamento do país (97%), nos últimos cinco anos, teve a expansão agropecuária como vetor, destacou o relatório.
 
O levantamento mostrou ainda que, nos últimos cinco anos, o Brasil perdeu 8.558.237 hectares de vegetação nativa, o equivalente a duas vezes o estado do Rio de Janeiro. No entanto, em 2023, houve uma queda de 11,6% na área desmatada: ao todo, 1.829.597 hectares de vegetação nativa foram suprimidos em 2023. Em 2022, esse total foi de 2.069.695 hectares. Essa redução se deu apesar de um aumento de 8,7% no número de alertas, na mesma comparação.
 
O MapBiomas ressalta que os dados apontam a primeira queda do desmatamento no Brasil desde 2019, quando se iniciou a publicação do RAD. Por outro lado, a avaliação é de que a cara do desmatamento está mudando, se concentrando nos biomas onde predominam formações savânicas e campestres e diminuindo nas formações florestais.
 
Cerrado
 
Em 2023, 61% da área desmatada em todo o país estava no Cerrado e 25% na Amazônia. Foram 1.110.326 hectares desmatados no Cerrado, no ano passado, um crescimento de 68% em relação a 2022. Na Amazônia, a área de vegetação suprimida no ano passado foi de 454,3 mil hectares – uma queda de 62,2% em relação a 2022.
 
Com exceção do Piauí, São Paulo e Paraná, todos os outros estados que concentram o Cerrado registraram aumento do desmatamento em 2023 na comparação com 2022. No caso do Maranhão, Tocantins, Goiás, Pará e Distrito Federal, a área desmatada mais do que dobrou.
 
Coordenadora do MapBiomas Cerrado, Ane Alencar lembra que o Cerrado – que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa –, passou a ser o protagonista do desmatamento no país, o que desperta preocupação. “O Cerrado é um bioma estratégico no que diz respeito à questão hidrológica e o desmatamento do bioma tem um impacto grande na questão hídrica. Várias bacias que nascem no Cerrado banham outros biomas, então, nesse sentido, o desmatamento e a perda do Cerrado representa um impacto para os outros biomas.”
 
Em 2023, a área média desmatada por dia no país foi de 5.013 hectares ou 228 hectares por hora. Mais da metade foi no Cerrado, onde foram suprimidos 3.042 hectares de vegetação nativa por dia. O resultado é mais que o dobro da área desmatada na Amazônia, 1.245 hectares por dia, que, ainda assim, equivale a cerca de 8 árvores por segundo.
 
O dia com maior área desmatada em todo o país, no ano passado, foi 15 de fevereiro, quando a estimativa é que uma área equivalente a quase seis mil campos de futebol foi desmatada em apenas 24 horas.
 
Matopiba
 
Os dois maiores biomas do Brasil – Amazônia e Cerrado – somaram mais de 85% da área total desmatada no país. Apenas quatro estados com Cerrado, que formam a região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), ultrapassaram a área desmatada nos estados da Amazônia e responderam por quase metade (47%) de toda a perda de vegetação nativa no país no ano passado. Dos quatro estados do Matopiba, apenas no Piauí teve redução da área desmatada, enquanto nos demais houve crescimento.
 
Ranking dos estados
 
Pela primeira vez, o estado do Maranhão saiu da quinta para a primeira posição em área total suprimida, com 331.225 hectares desmatados – aumento de 95,1% em relação ao ano passado. A Bahia ficou em segundo lugar, com 290.606 hectares suprimidos e crescimento de 27,5%. O terceiro estado no ranking foi o Tocantins, com 230.253 hectares desmatados e aumento percentual de 177,9%, em relação a 2022.
 
O ranking dos cinco estados com maior área desmatada no Brasil inclui ainda dois líderes históricos: Pará e Mato Grosso. No entanto, ambos registraram queda em 2023 – de 60,3% e de 32,1%, respectivamente. A supressão de vegetação nativa em território paraense foi de 184.763 hectares; no Mato Grosso, 161.381 hectares.
 
A Redação
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O desmatamento no Cerrado brasileiro avançou significativamente em 2023, superando pela primeira vez a devastação na Amazônia e tornando-se o bioma mais afetado do país. Segundo o relatório anual da Rede MapBiomas, divulgado nesta terça-feira, mais de 1,11 milhão de hectares foram destruídos no Cerrado em 2023, um aumento de 68% em relação ao ano anterior.

 

O Cerrado, uma extensa savana ao sul da Amazônia com grande biodiversidade, sofreu perdas que representaram quase dois terços do desmatamento total no Brasil e cerca de 2,4 vezes a destruição registrada na Amazônia. A área devastada na Amazônia totalizou 454,3 mil hectares, uma queda de 62,2% em comparação com 2022.

 

Essa é a primeira vez que o desmatamento no Cerrado, que abrange 11 estados do centro ao nordeste do Brasil, supera o da Amazônia desde o início dos registros do MapBiomas Alerta em 2019. Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, destacou que "a cara do desmatamento está mudando no Brasil, concentrando-se nos biomas de formações savânicas e campestres e reduzindo nas formações florestais".

 

Além disso, em 2023, "mais de 93% da área desmatada no Brasil teve pelo menos um indício de irregularidade", conforme estimativas baseadas em dados processados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

 

Apesar desse avanço no desmatamento do Cerrado, o Brasil registrou uma redução geral de 11,6% no desmatamento em 2023, marcando a primeira queda em quatro anos. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a priorizar a proteção ambiental, revertendo as políticas de seu antecessor, Jair Bolsonaro (2019-2022), e a eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.

 

No entanto, a perda de vegetação nativa continua a ser uma preocupação séria, especialmente devido às consequências evidentes, como as enchentes devastadoras no estado do Rio Grande do Sul, que resultaram em pelo menos 170 mortes e cerca de 600 mil deslocados.

 

CORREIO DO POVO

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A primavera chegou no último sábado (23) em todo o país. Mas Stefano Aires, professor de Ciências Biológicas do Centro Universitário de Brasília (CEUB), afirmou que as mudanças climáticas e as recentes ondas de calor podem impactar no ecossistema do Cerrado esperado para a estação.

 

A transição da estação no Cerrado ocorre de formas distintas dos outros biomas. Assim, o calendário prevê florada e colheita de frutas nativas do bioma. Dentre elas, ipê branco, jacaré-mirim, flamboyant e Kaliandra. Além, ainda, das flores que geram os frutos do pequi e da cagaita. “Essas são apenas algumas das espécies emblemáticas da estação”, disse Aires.

 

Influência no clima

 

A primavera chega com flores, mas também marca a mudança do clima no bioma. “No Cerrado, a Primavera traz consigo o início das chuvas, temperaturas mais amenas e vegetação mais úmida. Isso reduz significativamente o risco de incêndios florestais de grande porte”, contou.

 

O período chuvoso contribuiu para o aumento da umidade do ar, o que é bom para os polinizadores e, consequentemente, para o ciclo reprodutivo das plantas. Algumas plantas florescem no inverno, mas outras florescem somente na primavera com a ajuda dos insetos.

 

Além disso, o país passa por uma onda de calor e já convive com os efeitos das mudanças climáticas. Stefano Aires afirmou que os fenômenos climáticos impactam na floração das plantas.

 

“Este ano, observamos atrasos significativos na florada do Ipê devido ao atraso nas chuvas”, disse. “Isso sugere que a primavera pode ser afetada, com potencial impacto no verão”, alertou.

 

Sagres

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O Cerrado e a Caatinga estão no centro de uma campanha nacional que busca garantir proteção constitucional como patrimônios nacionais. Diferentemente da Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica, as duas regiões carecem não contam com programas de conservação na Constituição Federal.

 

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, juntamente com a ASA (Articulação Semiárido Brasileiro), povos e comunidades tradicionais, movimentos e entidades, surge com base naPEC 504com o lema “Cerrado e Caatinga, patrimônios do Brasil: riqueza presente, herança futura”.

 

A emenda constitucional visa assegurar a proteção legal do Cerrado e da Caatinga como patrimônios nacionais, com a devida salvaguarda pela Constituição Federal.

 

Abaixo-assinado

 

A principal ferramenta de mobilização da campanha é o abaixo-assinado pela aprovação da PEC 504, aberto pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado na plataforma Change.org em 2017, e que já soma mais de meio milhão de assinaturas. O objetivo é chegar a um milhão de adesões e entregá-las em mãos a parlamentares responsáveis pela votação do projeto de emenda constitucional. Confira aqui.

 

A PEC 504/2010 trata da inclusão do Cerrado e Caatinga no artigo 225, parágrafo 4º, da Constituição Federal de 1988, que reconhece a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira como patrimônio nacional. A redação desse artigo assegura que a utilização econômica dos recursos naturais das regiões ecológicas reconhecidas como patrimônio nacional se realize na forma da lei, dentro das condições que assegurem a preservação do meio ambiente.

 

Reconhecimento

 

O reconhecimento das regiões acima citadas como patrimônio nacional foi resultado de mobilizações das organizações ambientalistas e movimentos sociais no período da Assembleia Nacional Constituinte (1987-88), e tem contribuído efetivamente para uma maior valorização social e para o surgimento e consolidação de legislações com conteúdo específico relacionadas às regras de preservação dessas regiões ecológicas.

 

Entre os avanços de outros biomas, está a regulamentação feita pela Lei da Mata Atlântica à supressão de vegetação em médio estágio de regeneração, e o estabelecimento da reserva legal em no mínimo 80% da área total dos imóveis rurais incidentes na Floresta Amazônica.

 

O Cerrado e a Caatinga, apesar de não contemplados no texto constitucional, são regiões estratégicas para o equilíbrio ecológico e a sociobiodiversidade do planeta. O Cerrado é o berço das águas e a caixa d’água do Brasil, onde brotam as nascentes e são guardadas as reservas dos principais rios do país. A Caatinga é terra fértil onde a agricultura familiar se adapta com o armazenamento de água e sementes, produzindo alimento saudável em abundância para as pessoas do campo e da cidade.

 

Juntos, incluindo suas áreas de transição, ocupam aproximadamente 45% do território brasileiro. Formam com a Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e os Pampas, as seis regiões ecológicas que compõem o meio físico do Brasil. A ausência de ambos no parágrafo 4º do art. 225 da Constituição Federal é uma omissão grave, segundo reiterados posicionamentos de movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, organizações ambientalistas, especialistas e instituições das mais diversas áreas do conhecimento.

 

Desmatamento

 

O Cerrado ocupa 1/4 do país e já tem 50% dessa área desmatada, 98% corresponde à pecuária. Dados recentes divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o Cerrado teve o pior semestre de desmatamento desde o início da série histórica, em 2018. A região ecológica perdeu 4.408 km² de mata nos primeiros seis meses deste ano, uma alta de 21% em comparação com o primeiro semestre de 2022.

 

A Caatinga, por sua vez, além de perder 10% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2020, o que equivale a 15 milhões de hectares, teve mais de 15% da sua área queimada neste mesmo período, totalizando 13.770 hectares, segundo dados do estudo “Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra na Caatinga”, realizado pelo MapBiomas. O mesmo estudo aponta que houve perda de mais de 160 mil hectares de superfície de água, uma diminuição de 16,75%, colocando em risco o abastecimento humano de mais de 25 milhões de pessoas que habitam nesta região ecológica.

 

Com informações do Ciclo Vivo

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Estamos entrando em agosto. Período que agrava a seca no sertão, no interior do Brasil. Sertão que Guimarães Rosa registrou em seus escritos, coberto pelo cerrado brasileiro.

 

O segundo maior bioma do país, o cerrado, ocupa 23% de todo território nacional, presente em mais de 12 estados. E metade disso já foi devastado pelo homem.

 

Dados oficiais e de institutos independentes alertam para o crescente desmatamento do cerrado. Segundo o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de janeiro a julho deste ano foram mais de 500 mil hectares desmatados.

 

Luis Maurano, tecnologista do Inpe, diz que 2022 foi marcado pela devastação recorde do cerrado.

"Entre agosto de 2021 e julho de 2022, o cerrado perdeu 10.700 quilômetros quadrados. Ele vinha se mantendo na faixa de nove mil quilômetros quadrados em 2010, 2011, 2012, cai a níveis de 7.500 entre 2016 até 2019, e de 2019 em diante vem num ritmo de crescimento do desmatamento anual."

Já o levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia mostra que, no primeiro semestre deste ano, aumentou o desmatamento no cerrado em 28% em comparação com o ano passado.

 

Onde se via campos, arbustos, matas, buritis, veredas… Hoje é ocupado por grandes plantações de soja, milho, cana, eucalipto e criação de boi.

 

A bióloga Mercedes Bustamante, hoje presidente da Capes, alerta que as queimadas nesse período seco surgem pela ação do homem para a expansão do agronegócio.

"Em geral, o regime de queimada natural do cerrado ocorre mais no início do período chuvoso. É quando nós temos cargas elétricas na atmosfera e a vegetação ainda está seca, o que propicia os incêndios. Esse aumento das queimadas no auge do período seco, o que a gente observa hoje, está muito associado à atividade humana, ou seja, os seres humanos colocando fogo no cerrado."    

Berço das águas, o cerrado abriga as nascentes dos maiores rios do país. Os rios São Francisco, Araguaia, Tocantins, Paraná. Sem o cerrado, pode faltar água para o abastecimento, agricultura e energia, como destaca o diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona.

"Os instrumentos legais que temos até agora para pensar a contenção do desmatamento no cerrado e a própria manutenção do serviço, que mantém a vida e a produção, dependem do cerrado de pé, em especial a água. Então, a gente tem que pensar que a água é o principal insumo para a própria agricultura, para a própria geração de energia. E o cerrado de pé tem uma função primorosa na manutenção do signo ideológico que é tão importante pra gente."

 

Toda essa situação traz inúmeras preocupações para órgãos ambientais, ativistas e pesquisadores. Nas próximas matérias desta série especial, vamos discutir as causas do desmatamento no cerrado e alternativas que vêm sendo desenvolvidas.

 

Radio agencia nacional

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Um fóssil foi encontrado, enterrado há dois metros de profundidade, por pesquisadores em um sítio em Serranópolis.

 

De acordo com o professor Julio Cezar Rubin, um dos coordenadores da pesquisa, o achado pode ter cerca de 12 mil anos, sendo pertencente aos primeiros habitantes do cerrado. A ossada estava próxima a outros objetos, como dez crânios e até carvão.

 

Os primeiros indícios do esqueleto, conforme o professor, foram encontrados em outubro de 2022, mas os restos mortais só foram escavados cinco meses depois, em março deste ano.

 

A escavação, que começou em dezembro de 2021, conta com a participação de mais de 20 profissionais de oito instituições nacionais e internacionais, além do apoio da Polícia Federal (PF).

 

“Já havíamos encontrado carvão e um artefato lítico perto do pé desse indivíduo. Há uma cronologia de entre 11.900 e 11.700 anos antes do presente.

 

Ele pode ser mais novo, pois pode estar dentro de uma cova, tinha carvão embaixo dele também.

 

Só a continuidade da pesquisa é que vai definir isso”, explicou.

 

Caso seja comprovada a idade do fóssil, os restos mortais humanos podem se tornar os mais antigos já encontrados no centro oeste-brasileiro, ficando na mesma faixa de outros objetos descobertos entre as décadas de 1970 e 1990.

 

Porém, para o pesquisador, a data não é o elemento mais importante da descoberta.

 

“Ainda temos mais um metro para cavar.

 

Um sítio arqueológico é um ponto de interrogação, sempre pode haver descobertas, assim como não pode ter mais nada. Não sabemos o que pode ser encontrado, há uma gama de coisas.

 

Há a possibilidade de encontrar cultura material, restos alimentares, estruturas de fogueiras e até mais esqueletos”, disse.

 

 

FONTE: JORNAL SOMOS

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Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que os níveis de desmatamento do Cerrado bateram recorde em 2022. De acordo com o Sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), o Cerrado teve uma área desmatada de 4.091,6 km² de janeiro a julho do ano passado, a maior dos últimos quatro anos.

 

Em relação ao mesmo período de 2021, houve um aumento de 28,2% e, quando comparado aos primeiros sete meses de 2020, um crescimento de 50%, quando registrou 2.726,1 km². Já no fechamento do ano Deter, entre agosto de 2021 e julho de 2022, o desmatamento no Cerrado foi de 5.426,4 km². Isso representa um acréscimo de 11,5% sobre o penúltimo (4.866,6 km²) e 38,3% sobre o antepenúltimo (3.921,2 km²).

 

Além disso, 2022 ficou marcado com o segundo pior índice de desmatamento do Cerrado desde que o Deter foi lançado. O ano também registrou os piores números dos últimos três anos. A região do Matopiba, maior fronteira para o crescimento agrícola, foi onde mais se desmatou: Maranhão (1.255,5 km²), Bahia (1.232,0 km²), Tocantins (876,7 km²) e Piauí (691,5 km²).

 

Vale ressaltar que, além dos estados mencionados, o Cerrado também está presente em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Rondônia e Pará, apesar de ser característico do Brasil Central.

 

Cerrado
Fonte: Embrapa

Desmatamento do Cerrado em Goiás

 

Presente em praticamente todo o território de Goiás, o Cerrado no Estado teve um desmatamento de 984,79 km² em 2022, ocupando a 5ª posição (9,21%) das 13 federações do país onde há o bioma. Ainda conforme o Inpe, o valor corresponde a um crescimento de aproximadamente 7% em relação a 2021 e 34,25% no comparativo com 2020.

 

De acordo com o levantamento do Inpe, o índice de desmatamento do Cerrado em Goiás registrado em 2022 é o pior desde 2015, quando o Estado teve uma área devastada de 1.235,24 km².

 

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, atrás apenas da Amazônia. É a savana mais biodiversa do planeta e possui uma ampla variação em seus tipos de vegetação.

 

“Varia desde as formações florestais (Cerradão, Mata Ciliar), formações savânicas (áreas de cerrado típico, com vegetação mais “retorcida”) até tipos de vegetação campestre que, apesar de serem áreas de paisagem mais aberta (sem árvores), são essenciais na manutenção dos serviços ecossistêmicos, como, por exemplo, a regulação do clima e o ciclo da água”, destaca Dhemerson Conciani, membro da equipe MapBiomas e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), em entrevista ao Sistema Sagres de Comunicação.

 

Importância do Cerrado

 

Segundo o especialista, existe uma frase que diz que “o Cerrado é a caixa-d’água do Brasil”. Isso ressalta a importância do bioma para o ser humano, que, conforme Dhemerson Conciani, é habitado há mais de 11 mil anos e, hoje, abriga mais de 40 milhões de pessoas, quase ¼ da população brasileira.

 

Sagres

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou que os incêndios no Cerrado aumentaram e agora concentram mais de 50% das queimadas no Brasil. Com mais de 70% do território com a presença do bioma, consequentemente, Goiás também é um dos estados que mais sofrem com esse problema. Para ilustrar o problema, durante setembro (até o dia 12), o INPE registrou 618 focos de incêndio nas vegetações goianas. Apenas para efeito de comparação, em todo o mês de agosto, o número foi 975 registros.

 

De acordo com o professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás (EECA-UFG), Nilson Clementino Ferreira, nos últimos cinco anos, existe um aumento crescente na ocorrência de incêndios no Estado. “A ocorrência de fogo sempre está aumentando um pouco mais a cada ano em todas as unidades de paisagem. Ou seja, as unidades de conservação estão sofrendo mais com esse problema ultimamente”, alertou o docente.

 

O vice-coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Ciência do Fogo (NEPEF) também destacou que existem alguns fatores que contribuem para o aumento. Estão entre as razões, “os períodos de seca mais prolongados e a diminuição da atuação dos órgãos ambientais, principalmente os de fiscalização”. Ao mesmo tempo, o professor também destacou que os seres humanos causam a maior parte das queimadas.

 

“A maioria dos incêndios, infelizmente, é causada pelas pessoas, seja por descuido, por exemplo, quando vão para a beira de rio para pescar acende uma fogueira. Depois, não consegue apagar direito ou perde o controle e vira um incêndio. Ou, um deslize com um cigarro e com queima de lixo. Outro exemplo, quando resolve queimar o lixo no horário impróprio, entre o final da manhã e o início da tarde, com o calor muito forte e a pressão atmosférica muito baixa, isso aquece muito rápido ao redor do fogo e gera movimentação de ar. O que pode ficar muito forte e gerar redemoinhos, ou então, formar ventos que espalham fuligem e pequenos ciscos com fogo por áreas de vegetação seca”, explicou Nilson.

 

Por isso, Clementino pede que a população manuseie o fogo com bastante cuidado, seja em áreas urbanas ou rurais. Entretanto, ele ainda ressaltou que podem acontecer incêndios propositais, considerados criminosos. “Sabe-se lá por qual motivo, a pessoa vê uma vegetação seca e resolve colocar fogo naquela área, o que causa uma queimada de grandes proporções. Outro problema sério, só que menos presente na região Centro-Oeste, mas bem comum no Sudeste, é a soltura de balões. Sendo que a prática é crime e geralmente causam um incêndio quando caem, além de serem extremamente perigosos para o tráfego aéreo”, justificou o diretor da NEPEF.

 

Por outro lado, também não descartou a possibilidade de incêndios naturais, mas explicou que são eventos raros e que causam bem menos danos, caso ocorram. “Um raio pode cair e chuva acontecer em outro local, o que viraria um grande incêndio, mas isso é muito raro. Normalmente, o raio cai e depois começa a chover, assim o fogo não se alastra muito. Outra situação improvável pode ser uma queimada por conta do atrito entre galhos de árvores secos, pode até causar um problema, mas é bem raro”, contou o professor.

 

Nilson ainda apontou que o momento atual, no final da seca, com toda a vegetação muito seca e um cenário de baixa umidade do ar, é o momento em que o fogo se alastra com maior velocidade e intensidade. “É um incêndio de altíssima temperatura que agride muito a vegetação do Cerrado, que se adaptou durante milhões de anos para resistir com árvores retorcidas e de casca grossa, com toda uma estratégia de resistência. Mas, com o período muito seco, a intensidade do fogo vence a proteção natural”, disserta. Ele ainda conta que a vegetação que não morrer, ainda sofreria muito precisaria de bastante tempo para recuperar.

 

Além das vegetações, a saúde da população também pode ser afetada com as queimadas, principalmente entre as crianças e os idosos de saúde fragilizada. O material particulado, principalmente a fumaça, junto da poluição dos carros, cria uma névoa nas grandes cidades, inclusive está acontecendo em Goiânia, que deixa o ar muito poluído. Isso faz com que pessoas com comorbidades sofram e aumente a incidência de problemas de saúde, como os cardíacos e respiratórios.

 

Apesar do cenário negativo, o docente também contou que o governo estadual está prestando atenção para o combate ao fogo, por isso está investindo em equipamentos e contratação de pessoas para combater os incêndios. Fora que os meios de comunicação estão fazendo uma divulgação maior a respeito da situação.

 

Outro ponto destacado foi o monitoramento dos incêndios durante o ano, por conta da grande quantidade de satélites com sensores que estão disponíveis. Segundo Ferreira, o Brasil possui um dos melhores sistemas para realizar tal tarefa. “O INPE faz isso desde o final dos anos 70, existe uma ferramenta chamada BDQueimadas que monitora o fogo diariamente com o uso de dezenas de satélites. Então, graças a isso, a gente consegue saber os dados a respeito”, apontou o especialista.

 

Jornal Opção 

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Uma fiscalização de rotina no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, flagrou o desmatamento ilegal de 50 hectares de Cerrado, um espaço equivalente a 50 campos de futebol, na divisa entre Goiás e Mato Grosso do Sul. A denúncia partiu do próprio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o parque.

 

Esse desmatamento aconteceu em uma propriedade às margens do parque, o que é proibido segundo o diretor do parque, Marcos Cunha, porque a área é considerada um corredor ecológico, um local por onde passam animais. O parque pertence ao governo federal e compreende áreas preservadas entre Mineiros e Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás, e Mato Grosso do Sul.

 

Os tratores usados para desmatar a área foram apreendidos, levados para a sede do parque e serão devolvidos para o dono somente ao final da investigação, conforme Marcos Cunha. O caso será levado para a Polícia Federal.

 

"A gente constatou desmatamento em Área de Proteção Permanente e, após a consulta do documento que autorizaria esse desmatamento, emitido por órgão do Mato Grosso, vimos que estava ilegal. Lá consta que seria em uma área já ocupada, mas foi facilmente detectado que é uma área preservada", explicou o diretor do parque.

 

"Provavelmente, o consultor que fez o processo omitiu informação para o órgão licenciador. Existe coisa errada no processo. É a segunda fraude que acontece aqui em menos de um ano", destacou o diretor.

 

Fiscalização

 

O parque tem 132 mil hectares e, devido a extensão territorial, os fiscais não conseguem fazer uma vistoria todos os dias. Eles imaginam que o desmatamento vem acontecendo naquela região há uma semana.

 

Os fiscais passaram na área e viram um monte de árvores derrubadas. No local do desmatamento, eles verificaram que a atividade era ilegal.

 

G1 Goiás

 
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