Fragmentos de ossos e fios de cabelo foram encontrados nas fezes da onça que matou o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, em um pesqueiro na cidade de Aquidauana, no Pantanal sul-mato-grossense. O ataque aconteceu no dia 21 de abril. O material recolhido nas fezes foi encaminhado para análise pericial, que será realizada pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul. A investigação quer confirmar se os fragmentos encontrados têm origem humana.
De acordo com o delegado Luis Fernando Domingos Mesquita, responsável pelo caso, a onça-pintada defecou durante o transporte ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande (MS), onde permanece sob cuidados.
A onça-pintada apresentava sinais de desnutrição, desidratação e problemas hepáticos, renais e gastrointestinais. Segundo a Polícia Civil, ela não será reintroduzida à natureza.
Moradores relataram que o ataque foi repentino. Um deles, que encontrou o corpo, contou que havia vestígios do animal e marcas de sangue espalhadas pelo local. No início das investigações, a única pista do paradeiro de Jorge era uma mancha de sangue. Depois, partes do corpo dele foram localizadas e encaminhadas para exames necroscópicos e de DNA, que confirmaram a identidade.
Uma das linhas de investigação apura se o comportamento da onça foi alterado por alimentação irregular fornecida por moradores com a intenção de caçá-la. Isso pode ter feito com que o animal perdesse o medo de humanos, resultando no ataque fatal.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul segue aguardando os exames de DNA e o laudo pericial do local do ataque para esclarecer completamente as circunstâncias da morte.
Mais Goiás
“Estamos em uma das piores situações”, diz Marina sobre Pantanal
A ministra do Meio Ambiente e das Mudanças do Clima, Marina Silva, alertou, nesta segunda-feira (24), que os incêndios atuais no Pantanal são agravados pelos extremos climáticos e também por ações criminosas. “Estamos diante de uma das piores situações já vistas no Pantanal. Toda a bacia do Paraguai está em escassez hídrica severa”, afirmou.
Marina Silva concedeu entrevista após segunda reunião da sala de situação de crise com outros ministros, como Simone Tebet (Planejamento) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), além de representantes da Defesa e da Justiça. A ministra explicou que, no período entre os fenômenos do El Niño e El Niña, de estiagem na região, fez com que uma “grande quantidade de matéria orgânica em ponto de combustão” esteja propiciando incêndios que são “fora da curva” em relação a tudo que se conhece.
Segundo ela, o Ministério do Meio Ambiente planeja, desde outubro do ano passado, ações para se antecipar às consequências do incêndio. “Pela primeira vez, houve um plano de enfrentamento a incêndio no Pantanal. Nós fazemos política pública com base em evidência. Já sabíamos que este ano seria severo”, disse Marina Silva.
Diante disso, ela afirmou que o ministério decretou situação de emergência em relação ao fogo e à contratação de brigadistas. Pelo (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em atuação, há 175 brigadistas, 40 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 53 da Marinha (que são combatentes), além de bombeiros locais. “Teremos já um adicional de 50 brigadistas do Ibama e 60 que virão da Força Nacional, além da mobilização de mais brigadistas diante da necessidade”.
“Novo normal”
Marina Silva disse que a seca na região aponta para um “novo normal”, com a pior estiagem dos últimos 70 anos. “O que nós temos é um esgarçamento de um problema climático que vocês viram acontecer com chuvas no Rio Grande do Sul. Nós sabíamos que iria acontecer com seca envolvendo a Amazônia e o Pantanal. Nesse período, não há incêndio por raio. O que está acontecendo é por ação humana”, lamentou.
De acordo com a ministra, mais de 80% dos incêndios estão dentro de propriedades particulares. “Nós temos uma responsabilidade sobre as unidades de conservação federal, mas nesse momento nós estamos agindo em 20 incêndios”.
Simone Tebet destacou que foi importante a ação do governo de Mato Grosso do Sul de decretar a emergência ambiental. “Isso nos abre a possibilidade de criar créditos extraordinários. Não vai faltar recurso ou orçamento para resolver. Agora, não há orçamento no mundo ou no Brasil que resolva o problema de consciência da população”, afirmou.
Marina Silva ainda relembrou a necessidade de aprovação pelo Congresso da Lei do Manejo Integrado do Fogo. “Infelizmente, até hoje não foi aprovado. Gostaríamos muito de que fosse aprovado nesse momento em caráter emergencial”.
Proibição do uso do fogo
Marina Silva disse que há um pacto com os governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, além dos governadores dos estados da Amazônia. “Os governos estaduais já decretaram a proibição definitiva do fogo [em pastagens] até o final de ano. Portanto, todos aqueles que fizerem o uso do fogo para renovação de pastagem ou para atividade qualquer que seja ela, estará cometendo um delito”, alertou.
A ministra associou que os municípios que mais desmataram têm sido vítimas dos incêndios, como é o caso de Corumbá (MS). “É o município que mais desmatou. Não por acaso, é onde há mais incêndio”.
Já a ministra Simone Tebet, do Planejamento, acrescentou que há uma atenção especial para as situações do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. “O maior foco de incêndio nesse momento é no estado de Mato Grosso do Sul, mais de 50% no município de Corumbá”. Ela salientou a colaboração dos governos dos estados de decretar a proibição do manejo controlado de fogo até o final do ano.
“Mesmo aqueles fogos controlados que eram permitidos no Pantanal, está terminantemente proibido por determinação dos governos estaduais”, destacou.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). ODS 15 – Vida Terrestre
Relatório inédito mostra presença de agrotóxico com potencial cancerígeno em águas do Pantanal
A pesquisa elaborada pela ONG SOS Pantanal mostra presença de coliformes fecais e substâncias remanescentes de agrotóxicos na região do rio Santo Antônio, integrante da bacia do Pantanal. A publicação aconteceu na última sexta-feira (22).
Além disso, o relatório inédito também demonstra a presença de carbendazim, agrotóxico que tem uso proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2022.
Estudo
A coleta de dados ocorreu em 2023 e, entre os resultados mais preocupantes, está a presença do carbendanzim, coliformes fecais e de metolacloro. Nesse sentido, as substâncias representam ameaças de alto risco à biodiversidade e à vida humana, em razão do teor de propriedades cancerígenas.
O Pantanal é Patrimônio Nacional pela Constituição Brasileira de 1988, além de Patrimônio Natural Mundial pela UNESCO. Nesse sentido, o estudo relembra que a região, que é a maior planície alagável do mundo, também exerce impacto direto no cotidiano de comunidades riberirinhas e de povos tradicionais.
A área abrangida pelas análises da Organização Não Governamental (ONG) SOS Pantanal engloba 23 municípios, de modo total ou parcial.
Alertas
Além disso, o estudo também evidenciou a ausência de condições adequadas de manejo das terras próximas às regiões de coleta. Dessa forma, esse fator somado a falta de vegetação nativa, também contribui para assoreamento e contaminação da água.
Segundo os autores, a presença de agrotóxicos expressa um fator de risco para o abastecimento de Guia Lopes, município da região.
“A declividade é outro fator importante que foi considerado na escolha, estudos apontam que o potencial de erosão na Bacia do Rio Santo Antônio indicando que a área monitorada o potencial é considerado de médio a alto”, aponta o levantamento.
Recomendações
O estudo inédito construído pela ONG sul-matogrossense apresenta seção com recomendações. Nesse sentido, é sugerida a implementação de um programa de restauração das Áreas de Preservação Permanente e criação de fóruns permanentes para debate sobre práticas executadas.
Além disso, o estudo também recomenda que haja ampliação do monitoramento de agrotóxicos na bacia do rio Santo Antônio, com observação da fauna aquática.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU): ODS 3 Saúde Bem-estar e ODS 14 – Vida na Água.
Incêndios no Pantanal atingem Transpantaneira, a principal via de acesso ao bioma em MT
Os incêndios no Pantanal e chegaram à rodovia Transpantaneira, a principal via de acesso ao bioma em Mato Grosso. O fogo já consumiu um milhão de hectares do Pantanal em 2023, o triplo do registrado em 2022 inteiro.
A chegada do fogo à Transpantaneira é uma preocupação de quem tem fazendas e de quem vive do turismo na região.
Os agentes estão fazendo aceiros, que são faixas de limpeza da vegetação, para tentar impedir o avanço do fogo. Ao todo 256 pessoas trabalham no combate ao incêndio, mesmo durante a noite, porque a temperatura de mais de 40°C e os ventos fortes fazem as chamas avançar.
O Pantanal está registrando recorde de focos de incêndio em novembro.Em apenas 15 dias são 3 mil focos, 30% a mais do que o recorde anterior para o mês inteiro.De janeiro até agora, o fogo já consumiu 7% do Pantanal segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da UFRJ.
G1
À espera da chuva, Pantanal teme nova catástrofe
Quem chega ao Pantanal em fevereiro, normalmente está preparado para encarar um tempo molhado. Nesta época do ano, tudo costuma estar submerso, com grande parte da região transitável apenas a cavalo ou de barco. "Traga roupa de chuva", dizia-se por telefone.
Mas, em vez disso, a poeira queima no nariz e nos olhos quando se dirige por uma estrada de terra de Mutum até a maior reserva natural privada do Brasil, no interior do Pantanal. E no lugar de nuvens escuras, o sol brilha no céu.
É época de chuvas no Pantanal, mas simplesmente não chove. Há meses que o tempo está demasiadamente seco. Rios que normalmente transbordam pelas margens nesta época do ano hoje não são mais do que poças e bancos de areia. Em vários lagos ao longo do caminho a água se tornou tão escassa que já não há mais espaço e nem alimento para os jacarés. Eles começaram a se atacar, e alguns já morreram. Suas carcaças servem agora de alimento para os urubus.
Pior estiagem em décadas
Segundo cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden), o Pantanal vive atualmente a pior seca dos últimos 60 anos. Os pesquisadores alertam também que a seca ainda deverá durar mais alguns anos e ter graves consequências para a fauna, a flora e as pessoas, a exemplo do aumento de grandes incêndios.
As causas da atual seca não estão claras. Pode ser tanto em decorrência das mudanças climáticas como do desmatamento da bacia amazônica – menos floresta por lá, significa menos formação de nuvens e, portanto, menos chuva por aqui. Um ciclo natural também não está descartado: entre 1968 e 1973, o Pantanal também passou por uma seca extrema. Provavelmente é um misto dos três fatores.
No ano passado, quando os incêndios queimaram quase 95% da reserva do Sesc, Amorim lutou durante 50 dias e noites contra as chamas. Investigações apontam que o fogo foi desencadeado por um pecuarista e por indígenas de uma aldeia de fora da reserva. Já em outras partes do Pantanal, segundo a Delegacia de Meio Ambiente (Dema), os responsáveis foram coletores de mel, acidentes automobilísticos, incêndios e pecuaristas criminosos.
Fonte: Dom Total
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