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Safra brasileira bate recorde, mas Goiás perde produtividade, aponta Conab

Por Carlos André 14 Julho 2026 Publicado em Estado
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Safra brasileira cresce, mas clima reduz produção em Goiás

A safra brasileira caminha para consolidar o maior volume de produção de grãos da história do país. O 10º Levantamento da Safra 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), elevou a estimativa nacional para 360,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior, o equivalente a 7,8 milhões de toneladas adicionais. Na comparação com o levantamento de junho, houve aumento de 1,5 milhão de toneladas, impulsionado principalmente pelas revisões positivas para soja e milho.

Os novos números reforçam a força do agronegócio brasileiro em um momento de elevada demanda internacional por alimentos e mostram que o país segue ampliando sua capacidade produtiva por meio da incorporação de novas áreas agrícolas, da adoção de tecnologias e da evolução do manejo das lavouras. Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia que os impactos do clima continuam determinando diferenças importantes entre os estados produtores. Enquanto o Brasil registra um novo recorde, Goiás enfrenta perda significativa de produtividade, principalmente nas áreas de milho segunda safra.

O cenário confirma que o desempenho da agricultura brasileira depende cada vez mais da combinação entre investimento em tecnologia e condições climáticas favoráveis. Em um ano marcado por irregularidade das chuvas em diversas regiões, a expansão da área plantada foi decisiva para compensar parte das perdas de produtividade registradas em importantes polos agrícolas.

Safra brasileira cresce com expansão da área cultivada

O levantamento da Conab mostra que a área cultivada no país alcançou 83,5 milhões de hectares, avanço de 2,2% sobre a temporada anterior. Grande parte desse crescimento ocorreu nas culturas de soja, milho e sorgo, reforçando o movimento de expansão da agricultura nacional.

O avanço da produção foi sustentado principalmente pelo aumento da área plantada, pelos investimentos em tecnologia, pela utilização de sementes mais produtivas e pela modernização das operações agrícolas. Apesar disso, a produtividade média nacional permaneceu praticamente estável, indicando que boa parte do crescimento da produção ocorreu graças à incorporação de novas áreas, e não necessariamente pelo aumento do rendimento por hectare.

Esse comportamento evidencia que o clima voltou a exercer forte influência sobre os resultados da safra em diferentes regiões brasileiras, favorecendo alguns estados e limitando o potencial produtivo de outros.

Recorde de 360 milhões de toneladas tem soja como principal destaque

A soja continua sendo o principal motor do agronegócio brasileiro. Segundo a Conab, a produção deverá atingir 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão da área cultivada e melhora da produtividade em boa parte das regiões produtoras. A cultura mantém o Brasil na liderança mundial da produção e das exportações da oleaginosa, em um cenário de demanda internacional aquecida, especialmente por parte dos mercados asiáticos.

Além do impacto direto sobre as exportações, a soja exerce papel estratégico na geração de renda para o produtor, movimentando cadeias como esmagamento, farelo, óleo vegetal, biodiesel e logística de transporte.

Milho mantém estabilidade nacional, mas segunda safra perde força

O milho apresentou um comportamento diferente da soja. A produção brasileira foi estimada em 141,7 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, com crescimento de apenas 0,4%.

Os números, entretanto, escondem cenários distintos entre as duas safras. Enquanto o milho de primeira safra registrou crescimento expressivo de 18,7%, impulsionado pelo aumento da área cultivada e pela recuperação da produtividade, a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional, apresentou retração de 3,4%.

A redução está diretamente relacionada às condições climáticas enfrentadas durante o desenvolvimento das lavouras, principalmente nas fases de enchimento de grãos e maturação, períodos em que a disponibilidade de água exerce influência decisiva sobre o potencial produtivo.

Goiás amplia área plantada, mas perde produtividade

Entre os grandes estados produtores, Goiás apresentou um dos resultados mais contrastantes do levantamento da Conab.

Mesmo ampliando em 5% sua área cultivada, passando de 7,59 milhões para 7,98 milhões de hectares, o estado sofreu uma queda de 15,5% na produtividade média. Como consequência, a produção total recuou de 37,36 milhões para 33,17 milhões de toneladas, redução de 11,2% em comparação com a safra anterior.

Na prática, os produtores goianos plantaram mais, mas colheram menos.

Grande parte dessa retração foi provocada pelas condições climáticas enfrentadas durante o desenvolvimento do milho segunda safra. A irregularidade das chuvas comprometeu o enchimento dos grãos em diversas regiões do estado, reduzindo o rendimento das lavouras e impedindo que o aumento da área cultivada se transformasse em crescimento da produção.

O resultado demonstra que, mesmo em um ambiente de elevada tecnologia e mecanização, o clima continua sendo um dos principais fatores de risco para a agricultura.

Clima continua determinando ganhos e perdas nas lavouras

A análise climática apresentada pela Conab mostra que junho foi marcado por forte irregularidade das chuvas no Centro-Oeste.

Enquanto o extremo sul de Goiás registrou precipitações entre 70 e 150 milímetros, favorecendo parte das lavouras mais tardias, o centro e o norte do estado receberam menos de 40 milímetros, reduzindo significativamente a umidade do solo.

Em algumas regiões, o excesso de chuva também retardou o avanço da colheita do milho ao dificultar a perda natural da umidade dos grãos. Esse comportamento evidencia que tanto a falta quanto o excesso de precipitações podem afetar diretamente o desempenho das culturas.

Outro ponto de atenção destacado pela Conab é a confirmação do fenômeno El Niño. Segundo o levantamento, o fenômeno foi oficialmente caracterizado em junho e deverá permanecer ativo durante o trimestre de julho a setembro, com probabilidade de 100%.

Para o Centro-Oeste, a previsão aponta chuvas abaixo da média e redução gradual da umidade do solo, condição que poderá influenciar tanto o encerramento da atual safra quanto o planejamento do plantio da temporada 2026/27.

Centro-Oeste segue liderando a produção brasileira

Mesmo com a redução registrada em Goiás, o Centro-Oeste continua sendo a principal região produtora de grãos do Brasil.

A estimativa é de uma colheita de 177,4 milhões de toneladas, praticamente metade de toda a produção nacional. Mato Grosso permanece na liderança, com 113,4 milhões de toneladas, seguido por Mato Grosso do Sul, com 29,9 milhões, enquanto Goiás mantém a terceira posição regional, apesar da queda observada nesta safra.

A concentração da produção reforça a importância estratégica da região para o abastecimento interno e para o desempenho das exportações brasileiras.

Produção recorde fortalece o agronegócio, mas clima segue como principal desafio

O novo levantamento da Conab confirma que o agronegócio brasileiro continua ampliando sua capacidade produtiva mesmo diante de um ambiente climático mais desafiador.

A combinação entre expansão da área cultivada, evolução tecnológica, mecanização, melhoria genética das sementes e profissionalização da gestão rural mantém o país em trajetória de crescimento da oferta de alimentos.

Entretanto, o desempenho observado em Goiás demonstra que os riscos climáticos continuam sendo um dos principais fatores capazes de alterar significativamente os resultados econômicos das propriedades rurais.

Nos próximos meses, produtores, cooperativas, tradings e investidores acompanharão atentamente o avanço da colheita do milho segunda safra, o comportamento das exportações brasileiras e os efeitos do El Niño sobre o início do plantio da safra 2026/27. Esses fatores serão determinantes para a formação dos preços, para a renda do produtor e para a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Com uma estimativa de 360,1 milhões de toneladas, a safra brasileira reafirma o protagonismo do país como uma das maiores potências agrícolas do mundo. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que produzir mais continua dependendo não apenas de investimentos e tecnologia, mas também de condições climáticas favoráveis, especialmente em estados estratégicos como Goiás.

Este conteúdo é de responsabilidade do site Rio Verde Rural. Para reprodução, é necessário citar a fonte: www.rioverderural.com.br, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)

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