Um morador de Anápolis é o primeiro caso confirmado de febre Oropouche em Goiás. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29) pela subsecretária de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, Flúvia Amorim. O paciente procurou atendimento com sintomas típicos de arboviroses e, após exames, teve o diagnóstico confirmado. Ele já está recuperado e segue em monitoramento pela rede municipal de saúde.
A investigação epidemiológica apontou que a infecção ocorreu dentro do próprio município, sem histórico de viagem, caracterizando um caso autóctone. O homem deu entrada em uma unidade de saúde no dia 24 de março com febre, tontura e manchas na pele. Após a confirmação, a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis, em conjunto com o estado, intensificou as ações de vigilância e controle para evitar novos registros.
Equipes de zoonoses e da vigilância sanitária passaram a atuar de forma mais direta no monitoramento de áreas consideradas de risco, com foco na eliminação de criadouros e no combate ao mosquito transmissor. A orientação à população também foi reforçada como parte das medidas preventivas.
Vigilância e diagnóstico ampliado
A identificação do caso é resultado de uma estratégia de vigilância laboratorial ativa adotada pelo Estado desde 2023. O Laboratório Central de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO) passou a testar sistematicamente para Oropouche amostras que apresentavam resultado negativo para dengue, zika e chikungunya. De acordo com a subsecretária, mais de 6 mil exames foram analisados até a confirmação do primeiro caso no estado.
Flúvia Amorim destacou que, apesar do registro, não há motivo para alarme. Segundo ela, o Brasil contabilizou cerca de 12 mil casos da doença em 2025, o que indica uma circulação já estabelecida do vírus em diferentes regiões. O foco, neste momento, é ampliar a informação para profissionais de saúde e população, garantindo diagnóstico correto e resposta rápida para evitar a disseminação.
Mudança no perfil de circulação do vírus
O histórico da febre Oropouche no país mostra uma alteração no padrão de disseminação ao longo do tempo. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1960, durante a construção da rodovia Belém-Brasília, e permaneceu por décadas restrito a surtos esporádicos na região amazônica.
A partir de 2023, no entanto, houve uma expansão mais acelerada para outras regiões. Especialistas apontam que fatores como mudanças climáticas, aquecimento global e desmatamento contribuem para levar vírus antes limitados a áreas de mata para ambientes urbanos. Além disso, o aumento da circulação de pessoas favorece a propagação mais rápida de doenças, ampliando o alcance de casos que antes seriam localizados.
O que é a febre Oropouche
A febre Oropouche é transmitida principalmente pelo inseto Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, e apresenta dois ciclos distintos de transmissão: o silvestre e o urbano. No ambiente de mata, o vírus circula entre animais como preguiças, primatas, aves e roedores, que atuam como reservatórios naturais. Já nas áreas urbanas, o ser humano passa a ser o principal hospedeiro da doença.
Os sintomas são semelhantes aos de outras arboviroses, como a dengue, o que exige atenção redobrada de profissionais de saúde para o diagnóstico correto. Esse fator tem levado ao reforço na vigilância e na investigação clínica dos casos suspeitos.
Confira quais são os sintomas:
| Sintomas da febre Oropouche |
|---|
| Febre |
| Dor de cabeça |
| Dor nas articulações e muscular |
| Calafrios |
| Tontura |
| Náuseas |
| Vômitos |
Em casos mais severos, a infecção pode provocar sensibilidade à luz e, de forma menos frequente, evoluir para meningite asséptica.
Fonte: DM





