Chuvas de março favorecem recuperação de pastagens em propriedades rurais
Chuvas de março ainda representam uma janela estratégica para pecuaristas que desejam recuperar áreas de pastagem degradadas e melhorar a oferta de alimento para o rebanho em Goiás. Mesmo com o avanço do calendário agrícola, especialistas apontam que o restante do período chuvoso pode ser decisivo para recuperar áreas produtivas, fortalecer o crescimento das forrageiras e aumentar a eficiência dos sistemas pecuários.
Com planejamento forrageiro, correção do solo e manejo adequado do gado, produtores podem transformar áreas de baixa produtividade em pastagens mais vigorosas. Estudos técnicos indicam que, em sistemas bem manejados, a produção pode saltar de cerca de cinco arrobas de carne por hectare ao ano para até 20 arrobas, demonstrando o impacto direto que o manejo eficiente pode trazer para a rentabilidade das propriedades. Além de elevar a produção, a recuperação das áreas de pasto também contribui para reduzir custos e melhorar a sustentabilidade da pecuária, especialmente em estados com forte presença da atividade, como Goiás.
Chuvas favorecem recuperação das pastagens
O período chuvoso é considerado um dos mais importantes para o processo de recuperação de áreas degradadas. As chuvas ajudam na dissolução e na ação de insumos utilizados na correção do solo, além de estimular o crescimento das plantas forrageiras.
Segundo a engenheira agrônoma e mestre em Produção de Ruminantes Letícia Vilela, instrutora em treinamentos sobre recuperação de pastagens do Senar Goiás, aproveitar o restante do período chuvoso é essencial para melhorar o desempenho das propriedades pecuárias.
De acordo com a especialista, a presença de água no solo contribui diretamente para a eficiência dos insumos aplicados.
Entre os principais benefícios da umidade do solo estão melhor dissolução do calcário e fertilizantes, correção mais eficiente da acidez do solo, maior disponibilidade de nutrientes para as plantas e estímulo ao crescimento das forrageiras.
Esses fatores ajudam a acelerar o processo de recuperação das áreas de pasto e aumentam o potencial produtivo das propriedades.
Pastagens degradadas ainda são desafio no Brasil
A necessidade de recuperar pastagens no país ainda é grande. Estimativas técnicas indicam que mais de 60% das áreas utilizadas pela pecuária brasileira apresentam algum nível de degradação.
Esse cenário reduz a capacidade de suporte das propriedades, diminui a disponibilidade de alimento para o gado e limita o potencial produtivo da pecuária.
Recuperar essas áreas pode trazer ganhos expressivos de produtividade. Em muitos casos, propriedades que produzem cerca de cinco arrobas por hectare ao ano podem alcançar até 20 arrobas por hectare após a recuperação e o manejo adequado das áreas.
Outro ponto importante é o aspecto econômico. Estudos apontam que restaurar pastagens pode custar até 72% menos do que expandir a produção com abertura de novas áreas, além de contribuir para reduzir impactos ambientais.
Manejo de pastagens no período de março
O mês de março ainda permite que produtores realizem práticas importantes de manejo que ajudam a recuperar áreas degradadas e melhorar o desempenho do pasto.
Entre as estratégias mais recomendadas está o manejo adequado do pastejo, que evita o chamado sobrepastejo, situação em que os animais permanecem por muito tempo em uma mesma área.
No sistema de pastejo rotacionado o gado permanece em um pasto por determinado período, depois é transferido para outra área e o capim tem tempo para rebrotar e recuperar vigor.
O tempo de retorno do rebanho depende do crescimento da forrageira e deve ser acompanhado pelo produtor, observando principalmente altura do capim e estágio de desenvolvimento das plantas.
Divisão de áreas melhora o manejo das pastagens
Outra prática eficiente é a divisão das áreas de pastagem em piquetes menores, o que facilita o controle do tempo de pastejo e do período de descanso das plantas.
Essa estratégia permite melhor controle do consumo do capim, recuperação mais rápida das plantas e maior eficiência do pastejo rotacionado.
Para muitos produtores, o uso de cerca elétrica tem se tornado uma alternativa prática e com menor custo para implantar esse sistema.
Correção do solo aumenta produtividade das pastagens
A correção do solo também é uma etapa fundamental no processo de recuperação das pastagens. A aplicação de calcário ajuda a reduzir a acidez do solo e fornece nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas.
Entre os principais benefícios da correção do solo estão:
- Melhoria da fertilidade
- Maior enraizamento das forrageiras
- Melhor infiltração de água
- Aumento da produtividade do capim
Especialistas recomendam que a aplicação de insumos seja feita com base em análise de solo, que indica a quantidade correta de calcário e fertilizantes a ser utilizada.
Mesmo quando os resultados não aparecem imediatamente, a prática prepara o solo para responder melhor nos próximos ciclos produtivos.
Vedação de áreas ajuda na reserva de forragem
Outra estratégia importante é a vedação de áreas de pastagem, especialmente em capins do gênero braquiária.
Nesse sistema, o produtor mantém determinada área sem pastejo por um período, permitindo que o capim cresça e forme uma reserva de forragem para ser utilizada durante a estação seca.
Quando o capim atinge aproximadamente altura próxima ao joelho, e ainda há umidade no solo, o gado pode entrar rapidamente na área para consumir apenas as pontas das plantas. Depois disso, a área volta a ser fechada, permitindo que a pastagem continue se desenvolvendo e mantenha folhas verdes por mais tempo.
Pecuária mais produtiva e sustentável
Aproveitar as chuvas de março para recuperar pastagens pode trazer impactos diretos na produtividade da pecuária em Goiás. Investir em manejo adequado, correção do solo e planejamento forrageiro permite aumentar a capacidade de suporte das propriedades e produzir mais carne ou leite na mesma área.
Além de elevar a produção, essas práticas ajudam a reduzir custos de produção, melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da pecuária e tornar o sistema produtivo mais sustentável.
Para muitos pecuaristas, a recuperação das áreas de pasto representa uma das estratégias mais eficientes para aumentar a rentabilidade sem ampliar a área de produção, aproveitando melhor os recursos disponíveis na propriedade.
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