Crise do leite em Goiás afeta produtores rurais e a cadeia produtiva
Crise do leite atinge em cheio o setor produtivo em Goiás e coloca em risco a permanência de centenas de produtores na atividade. A combinação entre queda acentuada dos preços pagos ao produtor, aumento dos custos de produção, crescimento das importações e consumo interno estagnado tem aprofundado um cenário de forte instabilidade, especialmente em regiões de grande relevância leiteira como Goiás.
O impacto já é sentido não apenas nas propriedades rurais, mas em toda a cadeia produtiva, atingindo pequenas indústrias, cooperativas, empregos e a economia regional.
Ao mesmo tempo, os custos de produção seguiram em trajetória oposta, com alta média de 3%, pressionados principalmente por insumos como:
- Ração e suplementos nutricionais
- Energia elétrica
- Mão de obra
- Medicamentos veterinários
Esse descompasso entre receita e custo tem reduzido drasticamente a margem de rentabilidade do produtor rural.
Rio Verde e o impacto regional da crise do leite
Em Rio Verde, um dos polos do agronegócio estadual, a crise do leite preocupa produtores e lideranças do setor. A atividade leiteira tem papel estratégico na geração de renda contínua, especialmente para pequenos e médios produtores, que dependem do fluxo mensal de receita.
Segundo a Faeg, muitos produtores estão reduzindo investimentos, vendendo matrizes e, em casos mais graves, abandonando a atividade. Esse movimento compromete:
- A produção local de leite
- O abastecimento regional
- A sustentabilidade econômica de pequenas propriedades
Pequenas indústrias também sofrem em Goiás
De acordo com o gerente técnico da Faeg, Edson Novaes, a crise não se limita ao campo.
“É uma cadeia totalmente interligada. Quando o produtor não consegue se manter, o impacto chega rapidamente às pequenas indústrias, aos laticínios, ao emprego e à economia local”, afirma.
A retração na produção reduz o volume processado por pequenas agroindústrias, afetando diretamente postos de trabalho e arrecadação nos municípios goianos.
Importações agravam a crise do leite em Goiás
Um dos principais fatores apontados pelo setor é o aumento das importações de lácteos, especialmente de leite em pó oriundo de países do Mercosul. Apenas em 2024, Goiás importou 649 toneladas de leite em pó, o equivalente a 0,35% do total nacional.
Esse volume representou cerca de US$ 1,99 milhão que deixaram de circular na economia goiana, recursos que poderiam fortalecer a produção local.
Nova lei busca conter efeitos da crise do leite
Como resposta às pressões do setor, o Governo de Goiás sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido em todo o estado.
A norma:
- Veda a prática para indústrias e laticínios
- Amplia a transparência ao consumidor
- Valoriza a produção local
- Reforça o controle sanitário
Ao sancionar a lei, o governador Ronaldo Caiado destacou o impacto social da medida:
“Essa iniciativa é determinante para a manutenção dos empregos, a proteção dos pequenos produtores e a garantia de um produto de qualidade para a população goiana.”
O descumprimento pode resultar em multas, apreensão de produtos e suspensão do registro sanitário.
Expectativas do setor produtivo em Goiás
A expectativa da cadeia produtiva é que o conjunto de ações estaduais e federais ajude a reequilibrar o mercado. No âmbito nacional, o governo federal retomou investigações sobre dumping nas importações de leite em pó, após recurso da CNA.
Para o setor, o enfrentamento da crise do leite passa por:
- Políticas públicas estruturantes
- Redução da dependência de importações
- Previsibilidade de renda ao produtor
- Valorização da produção nacional
Sem essas medidas, o risco de êxodo de produtores tende a aumentar, ameaçando a sustentabilidade do setor leiteiro em Goiás.
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