O Brasil vive um novo capítulo de sua história energética e agrícola — e o protagonista tem nome conhecido do campo: o milho. O grão que por décadas foi coadjuvante na pauta de exportações e na nutrição animal agora ganha status de estrela na transição para uma matriz mais limpa e competitiva. É a chegada definitiva da Era do Milho, impulsionada pela expansão das usinas de etanol de milho, que transformam o grão em combustível, ração e desenvolvimento regional.
Rio Verde na vanguarda da transformação
No coração do Sudoeste Goiano, essa revolução ganha forma concreta. Às margens da BR-060, a 20 quilômetros de Rio Verde, já se ergue o canteiro de obras da Inpasa Rio Verde, que será uma das maiores biorrefinarias de etanol de milho da América Latina.
Com investimento de R$ 2,5 bilhões e previsão de conclusão em até 16 meses, a unidade terá capacidade para processar mais de 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano, gerando 3 mil empregos diretos e indiretos.
De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Denimarcio Borges, o impacto será imediato:
“A presença da Inpasa vai valorizar o agronegócio regional, ampliar a demanda por milho e sorgo, diversificar a economia, gerar energia limpa e fortalecer a cadeia de proteína animal com o DDGS, subproduto rico em proteína usado na alimentação de bovinos, suínos e aves.”
O prefeito Welington Carrijo celebra o novo ciclo:
“É o maior programa social que podemos oferecer: emprego, renda e oportunidades. Rio Verde se consolida como referência nacional na industrialização do milho.”
E não é por acaso. Segundo o IBGE, o município colheu 2,5 milhões de toneladas na safra 2024/2025, mantendo-se como o 3º maior produtor nacional. Já o estado de Goiás, com 33,4 milhões de toneladas, ocupa o3º lugar no ranking nacional e concentra boa parte da nova fronteira industrial do etanol de milho — especialmente no Sudoeste, responsável por cerca de 12 milhões de toneladas.
Goiás na rota da bioenergia
A decisão da Inpasa de instalar sua primeira unidade fora do eixo Mato Grosso–Mato Grosso do Sul em Rio Verde confirma a força de Goiás na nova economia do milho.
O governador Ronaldo Caiado destacou o feito:
“A instalação da Inpasa vai absorver mais de 2 milhões de toneladas da safra goiana e projetar Goiás no cenário internacional da bioenergia.”
Mas Rio Verde não está sozinha. O estado vive um ciclo de expansão sem precedentes, com novos projetos de etanol de milho se multiplicando:
- Inpasa (Rio Verde) – investimento de R$ 2,5 bilhões, capacidade para 35 mil toneladas de grãos por dia e armazenagem de 6,2 milhões de toneladas.
- Cargill (Cachoeira Dourada) – unidade flex, capaz de produzir etanol tanto de cana quanto de milho.
- Planalto Bioenergia (Cristalina e Formosa) – R$ 1,8 bilhão em duas plantas com obras previstas para 2025.
- Sada (Montes Claros de Goiás) – usinas flex, com meta de produzir 360 milhões de litros por ano e consolidar 25% de participação no mercado de etanol nos próximos anos.
- Quirinópolis (GO) será palco de um dos maiores investimentos do setor de biocombustíveis nos últimos anos. A São Martinho anunciou que vai aplicar R$ 1,1 bilhão na ampliação de sua unidade de etanol de milho anexa à Usina Boa Vista, dobrando a capacidade de processamento do grão e fortalecendo a economia local.
Somados, esses empreendimentos representam investimentos bilionários, geração de milhares de empregos e fortalecimento logístico de Goiás como um dos maiores polos de bioenergia da América do Sul.
Do campo ao combustível: a lógica da eficiência
O etanol de milho conquistou espaço acelerado no Brasil. Em 2024, pela primeira vez, a Inpasa superou a Raízen e tornou-se a maior produtora de etanol do país, com 3,7 bilhões de litros, superando os 3,1 bilhões da líder sucroalcooleira.
Enquanto a produção de etanol de cana está praticamente estável há uma década, a de milho cresce a uma taxa média de 33% ao ano. Hoje, já responde por 20% de todo o etanol brasileiro, e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) projeta que chegue a 30% até 2035.
E há motivos econômicos sólidos por trás desse avanço:
- O custo de produção é até 40% menor do que o do etanol de cana;
- O DDGS, subproduto rico em proteína, é comercializado como ração animal;
- O óleo de milho extraído no processo alimenta a indústria de biodiesel;
- E o milho-safrinha, cultivado após a soja, garante fornecimento contínuo e sustentável de matéria-prima.
Em outras palavras, o etanol de milho não apenas abastece veículos — ele integra cadeias produtivas, gera valor no campo e transforma resíduos em insumos.
A simbiose com o agro e o futuro sustentável
O crescimento das usinas de etanol de milho fortalece um ecossistema produtivo interligado: agricultores, cooperativas, transportadoras, indústrias de nutrição animal e de energia renovável.
No Centro-Oeste, especialmente em Goiás, esse modelo reforça a diversificação econômica, reduz a dependência de commodities tradicionais e consolida a transição energética do país.
Como resume Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem):
“O etanol de milho representa eficiência industrial, agregação de valor ao grão, fomento à cadeia de florestas plantadas e contribuição direta para a descarbonização da mobilidade.”
A Era do Milho não é apenas uma fase passageira — é um novo ciclo de prosperidade para o agro e para a indústria nacional.
E, nessa nova fronteira de energia limpa e valor agregado, Rio Verde desponta como símbolo do futuro: onde o grão vira combustível, emprego e desenvolvimento sustentável.
fonte: www.rioverderural.com.br,



































