Uma mulher fez uma adoção inesperada enquanto caminhava até a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, na região metropolitana de Goiânia. A jovem passava por Acreúna quando uma cadela de rua começou a segui-la. As duas seguiram juntas até a Capital da Fé por 150 quilômetros.
A dentista Giovanna Mourão Siqueira, de 27 anos, saiu de Quirinópolis, na região sudoeste do estado, com um grupo de romeiros em direção a Trindade no dia 22 de junho. Essa era sua primeira romaria e o percurso totalizou quase 300 km. Na madrugada do dia 26, quando passavam por Acreúna, em frente ao Parque de Exposições, uma cadela sem raça definida começou a segui-la.
Giovanna disse que tentou afastar o animal, mas ela estava determinada a acompanhar o grupo. Algumas pessoas chegaram a sugerir que a cadela iria embora sozinha, mas isso não aconteceu. Ela caminhou a madrugada inteira com os romeiros.
“Ela andou com a gente durante muitas horas nesse primeiro dia. Acho que faltavam menos de 10 km para chegar a Carlândia quando pedi que a colocassem no carro para levá-la até o repouso. O sol já estava bem quente e ela estava mancando”, falou Giovanna.
Preocupada com a nova mascote, Giovanna ligou para uma amiga veterinária que estava indo de carro para Trindade. Segundo ela, após uma análise, a médica afirmou que o ferimento era antigo. Além da consulta, a cadela recebeu comida, coleira e uma guia para seguir viagem.
O grupo nomeou a cadela de Chica Romeira, em homenagem ao tradicional prato de Quirinópolis, a “Chica Doida”, e ao grupo que ela passou a fazer parte, como romeira.
Durante o dia, quando o sol estava forte, Chica era colocada dentro de um carro que acompanhava o grupo para dar suporte. À noite, caminhava ao lado da nova dona.
“Ela queria ficar perto de mim o tempo todo. Quando a gente a colocava no carro para descansar, ela chorava muito e queria sair”, disse a dentista.
Na hora de dormir, ela também se juntava à dona. Foi caminhando, brincando e descansando que, quatro dias depois de ser adotada, Chica Romeira e Giovanna chegaram à Capital da Fé. Lá, conheceram a cidade, visitaram os pontos turísticos e até assistiram a uma missa juntas.
CÃOMINHADA DA FÉ
A quirinopolina disse que sentiu um chamado de Deus e não fez a caminhada para pedir algo ou pagar promessa, mas estava de coração aberto para se conectar com sua espiritualidade.
De acordo com Giovanna, a caminhada não foi algo programado e a decisão de sair em romaria por 283 km foi tomada um mês antes da partida. Para ela, a viagem não foi fácil, mas ter a companhia da Chica ajudou.
“Eu acho que foi um presente de Deus. Ela estava precisando de alguém para cuidar e dar carinho. Ela me deu muita força e energia para continuar meu trajeto”, disse a romeira.
As duas já estão em Quirinópolis. Giovanna informou que entrou em contato com diversos grupos de Acreúna para saber se a cadela tem dono, mas até o momento ninguém respondeu.
Romeira está se adaptando à nova realidade, morando com mais dois animais: uma outra cadela e uma gatinha.
A dupla de novas devotas do Divino Pai Eterno já está planejando a caminhada do ano que vem. O trajeto vai virar tradição.
“Vou levar a Romeira comigo, pois quero fazer a romaria todo ano, se Deus me permitir. Dessa vez, ela vai andar o trajeto que quiser e ficar no apoio para não se cansar demais”, falou Giovanna.
Fonte: G1





