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À espera da chuva, Pantanal teme nova catástrofe

Por Lucas Silva 06 Março 2021 Publicado em Previsão
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Quem chega ao Pantanal em fevereiro, normalmente está preparado para encarar um tempo molhado. Nesta época do ano, tudo costuma estar submerso, com grande parte da região transitável apenas a cavalo ou de barco. "Traga roupa de chuva", dizia-se por telefone.

 

Mas, em vez disso, a poeira queima no nariz e nos olhos quando se dirige por uma estrada de terra de Mutum até a maior reserva natural privada do Brasil, no interior do Pantanal. E no lugar de nuvens escuras, o sol brilha no céu.

 

É época de chuvas no Pantanal, mas simplesmente não chove. Há meses que o tempo está demasiadamente seco. Rios que normalmente transbordam pelas margens nesta época do ano hoje não são mais do que poças e bancos de areia. Em vários lagos ao longo do caminho a água se tornou tão escassa que já não há mais espaço e nem alimento para os jacarés. Eles começaram a se atacar, e alguns já morreram. Suas carcaças servem agora de alimento para os urubus.

 

Pior estiagem em décadas

 

Segundo cientistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden), o Pantanal vive atualmente a pior seca dos últimos 60 anos. Os pesquisadores alertam também que a seca ainda deverá durar mais alguns anos e ter graves consequências para a fauna, a flora e as pessoas, a exemplo do aumento de grandes incêndios.

 

As causas da atual seca não estão claras. Pode ser tanto em decorrência das mudanças climáticas como do desmatamento da bacia amazônica – menos floresta por lá, significa menos formação de nuvens e, portanto, menos chuva por aqui. Um ciclo natural também não está descartado: entre 1968 e 1973, o Pantanal também passou por uma seca extrema. Provavelmente é um misto dos três fatores.

 

No ano passado, quando os incêndios queimaram quase 95% da reserva do Sesc, Amorim lutou durante 50 dias e noites contra as chamas. Investigações apontam que o fogo foi desencadeado por um pecuarista e por indígenas de uma aldeia de fora da reserva. Já em outras partes do Pantanal, segundo a Delegacia de Meio Ambiente (Dema), os responsáveis foram coletores de mel, acidentes automobilísticos, incêndios e pecuaristas criminosos.

 

Fonte: Dom Total