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Integrantes do MST ocupam fazenda de João de Deus em Goiás

Por Marcelo Justo 14 Março 2019 Publicado em Região
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Integrantes do MST Integrantes do MST Reprodução/ TV Anhanguera

Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do (Movimento Camponês Popular (MCP) ocuparam, nesta quarta-feira (13/03), uma fazenda do médium João de Deus, em Anápolis, a 55 km de Goiânia.


Segundo nota enviada pela entidade, o território é fruto do “abuso, do estupro e da violência”.


A assessoria do grupo disse que não há previsão de quando os manifestantes vão deixar o local.


O médium João Teixeira de Faria, conhecido como 'João de Deus', está preso há quase três meses acusado de estuprar dezenas de mulheres durante atendimentos sexuais em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal.


Ele também responde por posse ilegal de arma de fogo, mas, nega ter cometido qualquer crimes.


Ao G1, um dos advogados do médium, Ronivan Peixoto, disse, por volta de 12h40, estar estudando as medidas que serão adotadas em relação à invasão à fazenda Agropastoril Dom Inácio.


Ele afirmou não ter como dar detalhes sobre o tamanho da propriedade e o que é cultivado no local.


Manifestantes de quatro estados
De acordo com o MST, mais de 800 pessoas ocuparam o local, entre os distritos de Interlândia e Souzânia, por volta de 6h.


A Polícia Militar (PM) informou que ainda não tem dados sobre o ato.


A organização afirmou que os manifestantes chegaram ao local em 13 ônibus.


Eles vieram de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.


O grupo também é composto por cerca de 30 crianças e alguns homens.


Na entrada da fazenda, os manifestantes hastearam uma bandeira vermelha sobre a porteira para controlar o acesso à propriedade.


Moradores da região que precisam passar pelo local são liberados.


“Nosso objetivo é ficar na terra. A ocupação é o primeiro passo político para retomar a luta pela terra e pela reforma agrária, com o intuito de construir um processo contínuo de luta com acampamentos permanentes e reivindicações diárias”, afirmou a assessora de imprensa do movimento de ocupação, Renata Silva Maria.


Segundo a representante do MST, funcionários da fazenda chegaram a ir ao local, por volta das 16h, para conversar com líderes da ocupação.


Na base de segurança montada, de acordo com o MST, eles foram tranquilizados de que o movimento é pacífico e que não há pretensão de qualquer aproximação à sede da fazenda, onde moram alguns deles.


Renata afirmou que a ocupação do local também é uma forma de cobrar a indenização das vítimas de abuso sexual.


“Um dos nossos objetivos é reivindicar que o patrimônio do médium João de Deus, estimado em R$ 60 milhões, seja utilizado para indenizar as vítimas de violência sexual. A gente quer que os imóveis e propriedades que ele possui sirvam par a indenizar essas vítimas. Estamos fazendo isso por justiça”, disse.


A fazenda invadida nesta manhã é uma das sete propriedades rurais que o médium relatou ter em depoimento à Polícia Civil (PC).


Na ocasião, João de Deus relatou que elas rendem R$ 60 mil, mas, não especificou se este lucro é mensal ou anual.


Ainda no depoimento, ele disse ter “várias” casas e declarou não saber quantos carros possui.


De acordo com o MST, a área da Fazenda Agropastoril Dom Inácio está sub júdice e tem cerca de 600 hectares.


No entanto, a assessoria do movimento não soube informar mais detalhes sobre o suposto processo, pois, segundo a assessora, os processos que envolvem propriedades e patrimônio do médium correm em segredo de Justiça.


O G1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que informou, por meio da assessoria, que somente com o nome da propriedade não conseguiu encontrar nenhum registro e que seria necessário o número do suposto processo.


Em relação à propriedade, a Prefeitura de Anápolis disse ao G1 que “por se tratar de uma propriedade particular e rural, não é possível tomar providências" e afirmou que "não possui informações a respeito da área e do que é produzido no local”.


Vandalismo
Em 26 de dezembro, a mesma fazenda foi invadida sendo alvo de vandalismo.


Segundo o boletim de ocorrência, uma das portas foi arrombada e o imóvel foi revirado.


Na época, o caso foi registrado na Polícia Civil (PC).


De acordo com os relatos do gerente da propriedade à corporação, não houve arrombamento nos cadeados das porteiras, mas, havia sinais de manobras de carro na entrada.


Fonte: G1 Goiás (com adaptações)

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